Prefeito Vittorio Medioli discute com populares sobre supressão de árvores em parque para construção de escola

Na primeira sessão ordinária do ano após o recesso parlamentar, uma discussão entre o prefeito Vittorio Medioli (sem partido) e populares que acompanhavam a reunião chamou a atenção.

Medioli foi chamado à tribuna para discursar na abertura dos trabalhos da Casa. O prefeito estava falando sobre obras feitas durante sua gestão na cidade. No meio de sua fala, decidiu responder às pessoas que protestavam com faixas contra a supressão de árvores para a construção de uma escola dentro do parque Chico Mendes, no São Caetano (Regional Imbiruçu).

Medioli justificou as construções dentro do parque dizendo que a região não dispõe de área para o tamanho das novas estruturas. “A população do Imbiruçu e seus vereadores reclamam de [falta de] escola, posto de saúde, creche. Nós não tínhamos outras áreas a não ser aquela, degradada, do parque Chico Mendes, para alocar uma escola para receber dois mil anos, uma creche que vai ser a maior, e um posto que estava todo degradado e refazer a UBS, que hoje é condenada, porque não se consegue consertá-la”, explicou.

O prefeito falou que serão plantadas 190 árvores para compensar a supressão no parque. “Vamos fazer uma nova. A UBS vamos fazer no mesmo local da [atual] UBS, a creche onde era um lixão, e a escola requer um sacrifício de 59 árvores, falaram 99 mas são 59, cujo plantio são 190”.

“Agora, se a população não quer a escola, não quer a creche, tem que se manifestar”. Nesse momento, o público se exaltou, causando a ira do chefe do Executivo. “Espere um momento, vocês estão abusando de um local, nós somos uma democracia. Você está abusando de um local porque o debate tem que ser feito em outro [local]. 

“Respeite este plenário, respeite a democracia. No meu gabinete você vem discutir o que você quiser. Eu nunca me neguei a atender qualquer representação popular.”

Vittorio Medioli a moradores da Regional Imbiruçu contrários à construção de escola dentro de parque ecológico durante reunião na Câmara de Betim em 6.fev.2024

“Você está com medo do povo. Vai na comunidade”, respondeu uma moradora. Após intervenção do presidente da Câmara, Léo Contador (União), o prefeito seguiu seu discurso.

Ainda durante a reunião, o vereador Daniel Costa (PT) informou que iria marcar uma reunião com o prefeito e alguns representantes dos moradores para tentar achar uma solução para o impasse. Vittorio Medioli concordou com o encontro, mas ressaltou que não pode passar por cima de uma decisão colegiada do Codema (Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental).

“Também teve o Codema que já discutiu esse assunto. Por que não foram lá? Há uma discussão pública nessas coisas. Eu não sou um ditador que posso revogar decisões colegiadas. Eu estou executando uma decisão colegiada”, finalizou.

Vista aérea do Parque Ecológico Chico Mendes, no São Caetano, em Betim
Vista aérea do Parque Ecológico Chico Mendes, no São Caetano, em Betim – Foto: PMB / Divulgação

Contexto

No dia 18 de janeiro, a Prefeitura de Betim começou a cortar 59 árvores dentro do parque Chico Mendes, no São Caetano, para a construção de uma escola integral. Desde então, moradores vêm realizando protestos contra o projeto no local em razão do impacto ambiental na área.

De acordo com a prefeitura, a construção já foi licenciada e os processos de preparação do terreno estão sob supervisão de profissionais para mitigar os impactos ambientais na área. “Dentre as condicionantes para a realização da obra está o plantio de 198 mudas das espécies inventariadas no local, na área do empreendimento ou em áreas públicas do entorno”, explicou na época.

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